Música Antiga da UFF
  

Esse foi o último cd lançado pelo Música Antiga da UFF



 Escrito por Música Antiga da UFF às 14h38
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Veja um pedacinho da gravação do CD Carmina Burana de 2011!

http://www.youtube.com/watch?v=B1qG0ur1R24



 Escrito por Música Antiga da UFF às 14h27
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O Música Antiga da UFF está prestes a lançar seu mais novo CD. Carmina Burana! Aguardem!!!



 Escrito por Música Antiga da UFF às 14h25
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Idade Média, trovadores, cruzadas, cavaleiros, mosteiros e conventos, peste, renascença, humanismo, grandes navegações, descobrimentos, madrigais comédia del’arte. São imagens que se sobrepõem quando se fala em Música Antiga. Leandro Mendes, Lenora Pinto Mendes, Mário Orlando, Marcio Paes Selles, Virgínia van der Linden, juntos com Peri Santoro e Sonia Leal Wegenast, continuam pesquisando e descobrindo novas formas de levar ao conhecimento do público a música que tanto encantou a Europa ocidental durante quase seis séculos.
Ao longo desses anos, os membros do Música Antiga da UFF cruzaram fronteiras e atravessaram o oceano, estudando nos estados unidos e na Europa, especializando-se na linguagem da música medieval e renascentista, adquirindo novos instrumentos, partituras e conhecimentos necessários à qualidade de suas performances.


São 16 anos recriando a sonoridade da Idade Média e do Renascimento, sempre buscando entreter o espectador com o encanto e a magia presentes nesse repertório. Desde então, foram mais de 500 concertos por todo o Brasil, trilhas sonoras, vídeo-clips, quatro discos gravados, além da organização de cursos, festivais e feiras renascentistas realizados na Universidade federal Fluminense.


O Música Antiga da UFF já lançou 5 CDS, "Lope de Vega - Poesias Cantadas", "Cânticos de Amor e Louvor" , "Música no Tempo das Caravelas", "A Chantar - Trovadoras Medievais, O Canto da Sibila e em breve o sexto CD Medievo-Nordeste.

para contatos mande um e-mail lpmendes66@uol.com.br


Visite a "Agenda" para saber quando serão os próximos concertos do Música Antiga da UFF

 Escrito por Música Antiga da UFF às 09h42
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Félix Lope de Vega Cárpio nasceu em Madri no dia 25 de novembro de 1562. Viveu uma vida atribulada, repleta de amores e filhos. Em suas poesias, atribuía nomes poéticos às mulheres por quem se apaixonava. Outras vezes, dedicava-lhes algum personagem em uma de suas inúmeras peças teatrais. Elena Osório, por exemplo, uma de suas esposas e filha de um comediante, foi chamada por Lope de Vega de Dorotéia. Isabel de Urbino era Filis, que morreu ao dar à luz a sua segunda filha. Lope de Vega chorou muito, com lágrimas e versos, a triste morte de Isabel. Mas, logo depois, enamorou-se pela comediante Micaela de Luján, a quem chamou de Camila Lucinda e com quem teve cinco filhos. Teve ainda muitas outras esposas e filhos. A última delas chamava-se Marta de Nevares, Amarílis, a quem jura que amou com toda a pureza, embora ninguém em Madri acreditasse. Com Marta de Nevares teve duas filhas. Lope de Vega morreu no dia 22 de agosto de 1635, deixando uma obra vastíssima. Cervantes narra que "passam de dez mil volumes o que escreveu". Em 1632, o próprio Lope de Vega declara-se autor de mil e quinhentas comédias. Moltalbán, seu discípulo, eleva a mil e oitocentas as comédias e para mais de quatrocentos os autos. Porém, dessa imensa produção, conservam-se apenas umas quinhentas obras que não suscitam dúvidas quanto à autoria.

Os Romances (poesias com versos de 8 sílabas) de Lope de Vega passaram para a memória do povo e foram recolhidos no "Romanceiro Geral" de 1600 e 1603, acompanhadas de música. Nas novelas do século XVI e primeiras décadas do século XVII era comum entremear a narrativa com músicas cantadas pelos personagens. Essa prática era freqüente e obrigatória, principalmente nas grandes novelas de ambiente pastoril. Obras de Juan del Encina e Gil Vicente são exemplos anteriores deste tipo de procedimento. Das novelas de Lope de Vega, a mais pastoril e com mais poesias cantadas é, sem dúvida, "Pastores de Belém". Grande parte das músicas desta novela foi escrita por Gaspar Fernandes (músico português que viveu a maior parte de sua vida na Guatemala e México). Essas músicas se encontram num volumoso livro manuscrito, conservado na Catedral de Oaxaca, no México.



 Escrito por Música Antiga da UFF às 09h40
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CÂNTICOS DE AMOR E LOUVOR Este CD é uma iniciativa do Núcleo de Estudos Galegos da UFF (NUEG), que tem suas atividades de divulgação da cultura galaica patrocinadas pelo governo da Comunidade Autônoma de Galiza, na Espanha.

Reunindo cantigas medievais galego-portuguesas, relaciona-se com a pesquisa que desenvolvemos atualmente, no NUEG-UFF e no PROEG-UERJ, sobre O Trovadorismo galego-português e o Neotrovadorismo galego e luso-brasileiro. Através de ambos, pensamos contribuir para a valorização das nossas raízes culturais galego-portuguesas, em suas vertentes lingüístico-literária e musical. O que tem sido feito, já há alguns anos, também pelo Música Antiga da UFF fundado em 1981, dedica-se à difusão da música do Ocidente Medieval e Renascentista, através de concertos realizados em diversas localidades do Brasil, de programas radio-televisivos e de gravações de video-clips e discos - um LP de 1992, com composições dos séculos XV e XVI, registradas no Cancioneiro Poético e Musical da Biblioteca Pública Hortência, e um CD de 1995, com Poesias cantadas de Lope de Vega, de final do século XVI a inícios do XVII.

Recuando para o século XIII, este meritório grupo de artistas revive agora o esplendor do nosso trovadorismo ancestral, através de cantigas de amigo atribuídas a Martin Codax - jogral ou segrel provavelmente galego, ativo nos meados ou no terceiro quartel do citado século -, e de cantigas de louvor a Santa Maria de Afonso X - rei castelhano de 1252 a 1284, não apenas fecundo trovador, mas mecenas de uma brilhante corte de sábios, intelectuais e artistas diversos, na qual elaborou, ou dirigiu a elaboração de obras trovadorescas, historiográficas, jurídicas, e traduções e adaptações de obras científicas arábicas.

As cantigas de Martin Codax são as únicas de caráter profano da época, cujas notações musicais permaneceram praticamente intactas no chamado Pergaminho Vindel, descoberto em 1914 - à exceção de uma delas, Eno sagrado, en Vigo, na qual um narrador apresenta o bailado de uma virgem numa festa religiosa . Nas seis restantes, vemos delinear-se a história de um namoro, através da voz da sua protagonista, que ora se dirige às ondas do mar (Ai ondas, que eu vin veer, Ondas do mar de Vigo), ou a Deus (Ai Deus, se sab'ora), expressando o seu anseio pela falta de notícias do amigo (namorado), ora à mãe (Mandad'ei comigo), à irmã (Mia irmana fremosa) ou às amigas (Quantas sabedes amar), falando dos seus planos para o reencontro. Tal amor se concretiza carnalmente, segundo os indícios de alguns versos, sobretudo de refrãos, ou das sugestões imagéticas da poesia - do banho de amor nas ondas simbolizadoras da libido despertada à sagração do corpo no bailado, ao redor de um templo cristão, num claro sincretismo com ritos pré-cristãos sacralizadores da sexualidade, propiciadora da vida e, portanto, da continuidade do grupo, constantemente ameaçado por pestes, fomes e guerras. E ainda, evidenciam o hibridismo das formas artísticas embrionárias da época, onde a poesia lírica se une à narrativa e a recursos mais próprios da arte dramática, como o discurso direto, associando-se também à música, ao canto e à dança.

Quanto às cantigas de Santa Maria, que em seus 427 espécimes documentados se dividem em canções de louvor e narrativas de milagres, também corroboram tal hibridismo. Além de constituírem um dos mais importantes testemunhos da música monofônica medieval, também o são da poesia e do canto religiosos, bem como da pintura, uma vez que os manuscritos são profusamente ilustrados por preciosas iluminuras, que não apenas se prestam à descrição de músicos, cantores e instrumentos da época, como à narrativa dos milagres, a modo das histórias em quadrinhos de hoje.

As composições marianas que aparecem neste CD, seguindo a ordem em que aqui se apresentam, contém: a primeira delas, um Prólogo, que fala da Arte Poética a ser seguida para o trobar, e estabelece a matéria das cantigas - o louvor e os milagres-, promovendo a substituição do canto/culto à mulher das cantigas de amor pelo da Virgem, portanto, a canalização do amor profano para o divino; a segunda, Des oge mais quer eu trobar, faz o panegírico da Senhora honrada, bendita e sagrada, revivendo a sua história, desde a saudação pelo Anjo Gabriel, o nascimento de Jesus em Belém, a visitação/adoração dos Reis Magos, as novas de Madalena sobre a Ressurreição do Filho, até o alçamento de Maria aos Céus, onde advoga pelos fiéis; a terceira, Virga de Jesse, fala dos seus padecimentos pelos pecadores, enfatizando a sua função de intercessora junto ao Filho e às lutas contra o demo, como guarda e amparo dos humildes, concluindo-se pela profissão de fé do trovador; a quarta, Rosa das rosas, louva a beleza, alegria, piedade e caridade protetora da Virgem, digna de ser amada e superior à dame sans merci do amor cortês, desprezando o trovador, por ela, todos os outros amores; a quinta , Santa Maria, Strela do dia, reitera a sua função de guia para a luz e para Deus, mostrando-a como a companhia mais desejável para a alma em direção ao Paraíso; a sexta, Entre Av' e Eva, enfatiza a diferença radical entre Eva, a causa da perdição do homem, da sua expulsão do Paraíso, e Ave (Maria), a sua salvação, a sua recondução até ele.

Enfim, as cantigas selecionadas para formarem este CD mostram, na perspectiva textual/contextual, os polos em que se movia o homem da época no tocante à religiosidade, ao amor e ao feminino. De um lado, a naturalidade das jovens sequiosas de amor, que transformam a ermida em lugar de encontro - herança de cultos pré-cristãos dedicados à fecundidade. De outro, a canalização do amor terreno para o divino, promovido pela Igreja que coloca Maria no centro da devoção, embora a Bíblia seja tão parca de referências a ela, indiciando mais uma vez a força dos substratos culturais ainda então atuantes, nos quais se destacava o culto a poderosas divindades femininas.

Quanto à música, tanto no aspecto melódico quanto no rítmico aproximava-se do cantochão, o que se corrobora na notação. Ressalte-se, quanto ao aspecto da temporalidade, a matriz arcaica do estilo musical de Codax, aliás em consonância com o texto das suas cantigas, que, como temos frisado, é um repositório de comportamentos ancestrais, que se mantinham paralelamente e em interação com o Cristianismo.

A seguir, serão transcritas as letras das cantigas, na forma em que aparecem no CD. O Música Antiga da UFF buscou seguir prioritariamente os manuscritos, tanto nas notações musicais quanto na expressão verbal, reproduzindo inclusive, no caso do Pergaminho Vindel, os afastamentos do paralelismo típico das cantigas de amigo que nele se observa. Mas não obedeceu à ordem em que neles se apresentam as composições: utilizando por critério o caráter das melodias, agrupou-as de modo a agradar a um mais vasto público. Para a transcrição, optamos por uniformizar a ortografia, vacilante nos documentos, naqueles elementos não pertinentes do ponto de vista fonético-fonológico, buscando não desvirtuar a lingua nesta sua fase arcaica - por exemplo, nunca usando y, mas i (vogal ou semi-vogal); não ll, mas lh; não nn, mas nh; não n antes de p e b; nem ç antes de e ou i; muito menos u com valor consonântico, mas j ou g e v respectivamente, etc-, tendo em vista causar menos ruídos na comunicação com os leitores brasileiros de hoje. Que saibam eles bem aproveitar este tesouro que ora lhes ofertamos.

Maria do Amparo Tavares Maleval



 Escrito por Música Antiga da UFF às 09h39
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O CD intitulado "Música no Tempo das Caravelas" inclui-se nas comemorações dos 500 anos da conquista da América, uma vez que as músicas selecionadas são exemplos das que animavam os serões palacianos em Portugal e Espanha, ao tempo das descobertas ultramarinas.

À exceção das composições Dos estrellas le siguen e Puestos estan frente a frente, bem como do solo de alaúde, todas as demais peças que compõem este CD foram retiradas do Cancioneiro da Biblioteca Públia Hortênsia, de Elvas (Portugal). Várias marcas levam os especialistas a reconhecer como dos séculos XV e XVI as suas composições. Isso se mostra tanto na forma quanto na temática dos textos, bem como na marcante presença da língua e da cultura castelhana que neles se percebe.

As formas estróficas mais utilizadas nessas letras-poemas são as do vilancete, da cantiga e suas variações. Ao lado dessas, encontravam-se também os romances (poemas narrativos). Quanto à temática, amorosa, a recorrência mais comum é a do cuidar (isto é, sofrer em segredo a dor da paixão), do suspirar (extravasando a emoção), do morrer de amor (na esteira das cantigas de amor galego-portuguesas e das canções provençais), e dos olhos/olhar como fonte ou repositório do sentimento amoroso. Não raras vezes esses temas aparecem unidos numa mesma composição.

Enquanto o amor era cantado desta forma na amenidade dos serões palacianos, as árduas e mesmo violentas conquistas marítimas se efetuavam, para mais tarde serem genialmente louvadas por Camões, ou satirizadas por Fernão Mendes Pinto.

Não se limitando a essas peças da época áurea de Portugal, documentam também, no romance "Puestos están frente a frente", o seu ocaso: trata-se da narrativa da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, na qual o jovem rei português, D. Sebastião, desapareceria, sem deixar herdeiros para a coroa, que, com a morte do seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, em 1580, passaria para o domínio de Espanha, do qual só se libertaria em 1640, sem jamais retomar o brilho perdido. Brilho este que, no entanto, a arte perenizou, e que ora se representa nas peças deste CD, pelo que se torna valiosíssimo às comemorações do quinto centenário da conquista do Brasil.



 Escrito por Música Antiga da UFF às 09h38
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As festividades natalinas sempre tiveram uma grande importância em todas as culturas latinas, especialmente na península ibérica, onde essa importância se evidencia através do enorme número de canções e autos natalinos que sobreviveram nos diversos cancioneiros e peças teatrais de todas as épocas. Formou-se uma tradição que remonta a tempos longínquos e vemos que compositores e escritores de todos os períodos, com seus estilos próprios, deixaram sua contribuição em seu legado musical e literário. Este CD, gravado ao vivo, apresenta peças do cancioneiro de Upsalla, algumas cantigas de Santa Maria, peças de Michael Praetorius e o Canto da Sibila.

A abundância de manuscritos musicais espanhóis no final do século XV e início do XVI se deve a condições políticas mais estáveis a partir da união de Castela e Aragão, sob o reinado de Fernando e Isabel, os reis católicos. Nesse período foram compilados os Cancioneiros, dos quais foram extraídos os villancicos Riu riu chiu, E la don don, Dadme albricias e Verbum caro. Isabel patrocinou muito a música, empregando em torno de quarenta cantores, sem mencionar os instrumentistas. O filho dos monarcas, Juan, gostava tanto de cantar que, na hora da siesta, encontrava-se com seu maestro de capilla no palácio, e mais quatro ou cinco meninos cantores, e faziam música por horas a fio. A corte dos Reis Católicos favoreceu particularmente a música sacra. Historiadores espanhóis algumas vezes chamam o período de 1474 até a morte de Fernando, em 1516 (Isabel morreu em 1504), de el siglo de oro.

De todos os eventos, o mais antigo e mais largamente difundido por toda a Europa, durante a idade média, foi o Canto da Sibila. As sibilas eram profetizas muito populares nos ritos romanos, antes da Era Cristã. Uma de suas profecias fala do fim dos tempos, como foi descrito por São João no livro do apocalipse. Com o advento do cristianismo e no intuito de difundi-lo entre os "povos pagãos", esta profecia foi utilizada pela igreja como prova de que o cristianismo era uma verdade já prevista antes de sua existência. Assim, na noite de Natal, no meio da missa de meia noite, a Sibila era cantada para alertar a todos a se converterem antes do juízo final. Essa tradição se repetia todos os anos até que foi proibida em concílio pela Igreja. Por ser um evento tão popular e de tão grande importância, mesmo com tal proibição ele continuou a ser praticado em alguns lugares da Espanha até os dias de hoje.



 Escrito por Música Antiga da UFF às 09h36
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 Para um observador menos atento, a paisagem cultural da sociedade medieval européia pode parecer coberta por uma neblina que, perturbada por infinitas guerras, heresias e a inquisição, desvenda um mundo estritamente masculino. Mas existe um outro lado deste universo, um lado matriarcal, evidenciado pelas muitas faces da mulher medieval. Numa procura por esse mundo perdido, por essas mulheres há muito esquecidas, encontramos na literatura medieval registros dessas poderosas mulheres que muito contribuíram para essa vasta cultura.

O início da Idade Média foi um período de relativo poder e liberdade para as mulheres. Após a queda do Império Romano algumas mudanças no comportamento dos grupos sociais aconteceram. As mulheres, objeto desta investigação, passaram a ter menos isolamento do que as romanas e as gregas, tornando-se mais participantes na sociedade do que em séculos anteriores. Em geral, as mulheres teciam, fiavam, cuidavam dos animais e da horta enquanto os homens faziam o trabalho agrícola mais pesado e as guerras. Assim, a importância do papel econômico das mulheres expandia-se ou contraía-se, de acordo com a presença ou não dos homens. Tornando-se, pois, uma significativa força reserva de trabalho, passaram a receber, muitas vezes, melhor educação que seus companheiros. A partir do século X, muitos feudos da frança eram administrados por mulheres, como os de Boulogne e Calais (ao Norte), e os de Toulouse, Carcassonne, Nîmes e Montpellier (ao Sul).

A partir do século XIII, entretanto, a autonomia e o poder das mulheres começou a declinar por toda a Europa. Após a morte de Filipe, o Belo, em 1314, os barões franceses declararam que uma antiga lei (Frankish Salic) impedia qualquer herança de reinos através de mulheres, uma proclamação que logo se tornou convenção. Por volta do fim do século XIV, início da Renascença, o poder político-econômico das mulheres havia deteriorado significativamente, iniciando-se assim um período de liberdade e brilho para os homens.

Trouvère (originário da palavra trouver: procurar ou inventar) é um termo geralmente usado para descrever o poeta ou músico do Norte da França nos séculos XII e XIII, denominação utilizada tanto para o homem quanto para a mulher. A língua poética era o langue d'oil (conhecida como francês antigo). Já ao Sul, suas companheiras desta arte de escrever canções e poemas, as trobairitz (feminino de Troubadour), compunham em langue d'oc.

As senhoras da alta estirpe tinham um elevado nível cultural, apesar de não terem uma educação formal. Seu treinamento era provavelmente obtido a partir de um período como aprendiz na casa de outra senhora, talvez de sua própria mãe ou da futura sogra. A capacidade de administrar suas vastas propriedades era sem dúvida o mais importante atributo a ser conquistado, mas seu treinamento incluía boas maneiras, aprendizado de jogos de corte, como o xadrez, conhecimento de falcoaria, alguma habilidade para ler e escrever, e música: canto e o aprendizado de algum instrumento.

As aristocratas não eram as únicas musicistas da Europa medieval. Mulheres de classes sociais mais baixas também eram musicalmente ativas: as trovadoras itinerantes e as servas e cortesãs, estas últimas muito mais presentes na Espanha mourisca. Desde o século VIII os conquistadores árabes transformavam mulheres de diferentes raças e classes sociais em escravas. Muitas delas eram treinadas como cantoras e instrumentistas em escolas de música para suprir os haréns da nobreza, não apenas com beleza mas também com talentos musicais. Algumas eram vendidas para a nobreza árabe na Espanha.

Este CD é o resultado do interesse do Música Antiga da UFF em conhecer e mostrar um pouco do passado literário-musical feminino, na França medieval, através das obras da Condessa Beatriz de Dia, Maroie de Dregnau de Lille, Dame du Fayel e Blanche de Castille, incluindo também danças instrumentais francesas e italianas, de autores anônimos.

Apenas uma Canção de Trobairitz sobreviveu com letra e música até os dias de hoje: A chantar m’er de so que no volria, da condessa Beatriz de Dia. Beatriz (séc. XII) era, sem dúvida, de Dia, cidade ao norte de Montelimar. Foi casada com Guilhem de Potiers e, suspeita-se, amante de Raimbaut d’Orange, irmão da poetisa Dame Tibors, ambos pertencentes a uma importante família de trovadores. O poema A chantar m’er de so que no volria sobreviveu em diversos manuscritos mas, a música, somente no "Manuscrit du Roi". Outros poemas desta misteriosa Condessa sobreviveram, mas nenhum com música. A Condessa Beatriz de Dia soube, com grande propriedade, narrar e cantar os prazeres do amor carnal.

Blanche de Castille (sec. XIII) era neta de Eleonora de Aquitânia e filha de Marie de Champagne e do Conde Tibau de Champagne, famoso trouvère, que escreveu muitas de suas canções para Blanche, sua rainha e objeto da sua admiração e amor. Como exemplo de composição de Blanche de Castille temos a canção Amours u trop tars me sui pris, uma canção em devoção a Virgem Maria.

Maroie de Dregnau de Lille (séc. XII) é uma trovadora de origem desconhecida. Sua peça, Mout m’abelist quant je voi revenir, pertencente ao movimento dos trouvères e considerada mais tardia que outras do gênero, se encontra no "Manuscrit du Roi". É uma canção de mulher (chanson de jeune fille) de estilo elegante, preservada com apenas um verso. Temos pouca evidência da existência desta poetisa, que é provavelmente a "Maroie" citada nos versos de uma canção do trovador Artois Andrieu Contredit.

Em um manuscrito que se encontra na Biblioteca Pública de Berna a famosa canção de cruzada, Chanterai por mon coraige é atribuída a Dame de Fayel, que era amante do famoso trouvère Châtelain de Couci. Porém, a mesma canção é atribuída a Guiot de Dijon no "Manuscrit du Roi" e em outras fontes. Escrita do ponto de vista de uma mulher, este texto poderoso canta a ausência do amante que está em uma Cruzada na Palestina.

Incluímos neste CD uma "Canção de Tear" (Chanson de Toile), assim chamada devido às atividades que as mulheres realizavam ao longo do ano, o girar da roca para tecer. Estas chansons são narrativas românticas que contam histórias de personagens femininos, normalmente de origem nobre. As canções começam nomeando a heroína: bele Doette, bele Yolanz ou bele Aye; elas descrevem o que ela está fazendo então: sentada à janela, costurando, ou lendo um livro. O início das canções introduz uma grande variedade de narrativas, algo trágico, algo sedutor ou algo humorístico...Os poemas de trobairitz e as Chansons de toile sobreviveram quase completamente sem melodias, poucas foram as que restaram contendo letra e música. Com uma nova visão desta bela canção, o Música Antiga da UFF deu voz ao narrador, ao escudeiro assim como à bela Doette, personagens desta narrativa.t Anônimo



 Escrito por Música Antiga da UFF às 09h34
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